Blog "Volta pra Você" de Juliana Espigato Lima
Se toda vez que você pensa em dizer não a culpa chega antes da frase, esse texto é para você. Vamos entender por que dizer não parece tão difícil, e como treinar isso aos poucos, sem virar uma pessoa “fria” ou “egoísta” no processo.
Tem gente que consegue dizer não numa boa. E tem gente que ensaia a frase na cabeça, sente o estômago revirar, e no fim acaba dizendo sim mesmo sem querer. Se você se identifica mais com a segunda situação, o problema não é falta de força de vontade: é um padrão aprendido, e padrões aprendidos podem ser desaprendidos.
Para muita gente, principalmente mulheres que cresceram sendo elogiadas por serem “prestativas” ou “fáceis de lidar”, dizer sim virou sinônimo de ser uma boa pessoa. Com o tempo, dizer não passa a soar como decepcionar alguém, ou pior, como correr o risco de não ser mais querida. Isso não é frescura: é um pensamento automático, do tipo que a Terapia Cognitivo-Comportamental chama de crença central, e que se instala tão fundo que nem parece um pensamento, parece só “a realidade”.
O problema é que esse padrão tem um preço. Cada sim forçado é uma fatia da sua energia, do seu tempo ou da sua paz que vai para outra pessoa. E é justamente esse acúmulo, sim atrás de sim, que costuma alimentar crises de ansiedade: o corpo sente a sobrecarga muito antes de a mente admitir que precisa parar.
Um dos primeiros passos é separar duas ideias que a nossa cabeça ansiosa adora colocar juntas: dizer não à pessoa e rejeitar a pessoa. São coisas diferentes. Você pode se importar profundamente com alguém e, ainda assim, não ter disponibilidade para aquilo que estão pedindo naquele momento. Um limite bem colocado não termina uma relação: ele costuma ser exatamente o que mantém essa relação saudável a longo prazo, porque evita o ressentimento que vem de anos de sim forçado.
Não é preciso virar de vez uma pessoa que só diz não. O treino costuma funcionar melhor em passos pequenos:
Esse tipo de mudança de padrão é exatamente o que se trabalha na terapia com abordagem cognitivo-comportamental: identificar o pensamento automático por trás do “eu preciso dizer sim”, entender de onde ele vem e treinar, na prática e com acompanhamento, novas formas de reagir. Não precisa ser sozinha.
Perceber esse padrão já é meio caminho andado, mas romper um hábito de anos de “sim automático” costuma pedir apoio de verdade, não só força de vontade. Na terapia com a Juliana, esse não é trabalhado na prática, sessão a sessão, olhando para as suas situações reais, não para uma teoria genérica sobre limites.
Pronta para treinar isso na prática?