Blog "Volta pra Você" de Juliana Espigato Lima
Marcar a primeira sessão de terapia costuma gerar mais ansiedade do que o próprio motivo que te levou até ali. Neste texto, você entende o que realmente acontece nesse primeiro encontro, e por que não existe “resposta certa” para nenhuma pergunta.
É comum adiar o início da terapia não porque falta vontade, mas porque a cabeça já viajou para um cenário imaginário: uma sala fria, uma pessoa séria de bloco de notas, e uma sensação de estar sendo avaliada. Esse imaginário afasta muita gente de um processo que, na prática, é bem diferente disso.
Não. Você não precisa chegar com um resumo pronto da sua vida, nem saber explicar exatamente o que sente ou por quê. A ansiedade, inclusive, costuma dificultar justamente isso: organizar os próprios pensamentos em frases claras. A primeira sessão não cobra isso de você. Ela existe para ajudar a psicóloga a te entender aos poucos, não para você “passar num teste” de autoconhecimento.
Outro medo comum é o de ser julgada por alguma coisa que você diga, principalmente quando o assunto envolve situações das quais você não tem orgulho, como uma crise de ansiedade em público ou um limite que você não conseguiu colocar a tempo. Não existe fala “errada” numa primeira sessão. O papel da psicóloga ali não é avaliar suas escolhas, é entender o contexto por trás delas.
A primeira sessão é, antes de tudo, um momento para vocês duas se conhecerem. A conversa costuma caminhar por: o que fez você procurar terapia agora, como isso tem aparecido no seu dia a dia, e quais mudanças você gostaria de alcançar. Não é uma lista de perguntas fechadas, é mais parecido com uma conversa guiada, no seu ritmo, com espaço para você contar só o que já está pronta para contar.
A partir dessa conversa inicial, é construído junto com você um caminho terapêutico de acordo com as suas necessidades específicas, e não um roteiro pronto igual para todo mundo.
Nas sessões seguintes, o trabalho vai se aprofundando: entender os pensamentos, emoções e comportamentos que mantêm a ansiedade ativa, e ir desenvolvendo, aos poucos, estratégias práticas para lidar com ela no dia a dia. É um processo construído em conjunto, sessão após sessão, não algo que se resolve de uma vez só na primeira conversa.
Na prática, isso costuma significar sair de cada sessão com algo concreto para observar ou treinar na semana seguinte, e não só com a sensação de “ter desabafado”. Com o tempo, esses pequenos ajustes vão se somando: menos crises, mais clareza sobre os próprios limites, e uma relação mais gentil consigo mesma.
É uma preocupação válida, e também faz parte do processo perceber isso. A relação entre paciente e psicóloga é uma parte importante do resultado da terapia, e a primeira sessão também serve para você sentir se aquele é um espaço onde você se sente segura para se abrir. Não é preciso continuar em um acompanhamento que não parece fazer sentido para você.
Não existe um momento ideal, nem um nível mínimo de organização interna para procurar ajuda. Se você está lendo isso enquanto pensa em marcar uma primeira sessão, esse já é o sinal de que faz sentido dar o passo.
Já sabe o que esperar, falta só o primeiro passo